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No século XVIII com frágeis registros de que na região
próxima ao litoral Sul do país, uma pequena povoação da
capitania de Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá,
quase abandonada, pelos idos anos de 1710, foi concedido
uma carta de Sesmaria ao Senhor Domingos Fernandes
Grosso, abragendo áreas denominadas "ARRAIAL QUEIMADO"
nome originado de um grande incêndio ocorrido em época
ignorada. Apesar dessa concessão de uso da Sesmaria, ato
do Governador capitão-mor da Capitania, o beneficiado
era apenas um "testa de ferro" do padre Lucas Rodrigues
França, filho do Governador e legítimo dono da Sesmaria.
Alguns anos posteriores, o padre Lucas Rodrigues França
vendeu essa Sesmaria a seu cunhado André Gonçalves
Pinheiro. Falecendo esse, a Sesmaria de "Arraial
Queimado" foi tranferida para sua filha e herdeira,
senhora Bernarda Maria de França, casada com Manoel
Gonçalves Silvestre. Estes, em 28 de outubro de 1756,
venderam a área para José Rodrigues Teixeira, pela
importâcia de 50$000 (cinqüenta mil reis).
O pequeno povoado passou a receber forte incremento
que, em uma ocasião se estabeleceu na região o Senhor
Manoel José Cardoso, chefe de numerosa prole. Após esse,
vieram outros tais como Manoel José de Almeida, Manoel
João dos Santos, Antonio Joaquim dos Santos e Joaquim
Antonio dos Santos, que formaram sítios e contribuíram
de forma extraordinária para o desenvolvimento da
região.
Passados os anos, em 1828, a população crescera
tanto, que a descrição topográfica mandada registrar
pelo ouvidor interino, Dr. Joaquim Teixeira Peixoto, da
necessidade da criação de uma capelinha no sítio
"Arraial Queimado". Entretanto o movimento colonizador
operou-se relativamente de maneira lenta e que, somente
pela Lei nº 250, de 22 de abril de 1870, foi aprovada a
elevação à categoria de Freguesia.
Um ano após, finalmente, em virtude da Lei nº 273, de
12 de abril de 1871, era criado o Município de Arraial
Queimado.
Posteriormente, o Município de Arraial Queimado
recebeu várias modificações em sua denominação sendo
que, na então Proclamação da República, recebeu o nome
de "Bocaiúva" em homenagem ao Ministro das Relações
Exteriores do Governo Provisório, Quintino Bocaiúva, ato
que se concretizou pelo decreto nº 19, de 11 de janeiro
de 1890, novamente modificado, foi extinto o município,
cujo território foi anexado à Comuna de Capivari com
sede em Colombo e anos mais tarde, em virtude do Decreto
nº 705, de 16 de março de 1934, foi restabelecido ao seu
antigo território sendo mais tarde pertencido ao antigo
Município de Epitácio Pessoa. Ainda, pelo Decreto nº
199, de 30 de dezembro de 1943, recebeu a denominação de
Imbuial e, mudando novamente para o nome de Bocaiúva do
Sul, por força da Lei nº 02, de 10 de outubro de
1947.(Pelo Decreto nº 705, de março de 1938, a sede
Municipal à categoria de cidade).
Em dezembro de 1943, surgiu o Termo Judiciário, cuja
instalação se deu no dia 12 de abril de 1944, em sessão
solene presidida pelo então Dr. Joaquim de Oliveira
Sobrinho, Juiz de Direito da Comarca de Morretes, sendo
Prefeito Municipal o ilustre Dr. Mario Bastos, e
Promotor Público o Ilustre Dr. Ignácio Sotto Maior. Em
fins de 1946, por Decreto Lei Estadual, o município
passou a denominar-se Bocaiúva do Sul. A Comarca de
Bocaiúva do Sul foi criada em 16 de janeiro de 1949. A
instalação foi presidida pelo Dr. Luíz de Albuquerque
Maranhão, sendo que o primeiro Juiz de Direito foi o Dr.
Zeferino Mogatto Krukoski |